Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

O país que temos

Hoje passei por uma situação que me chocou bastante.

Fui fazer algumas compras a Sta Catarina, uma das mais importantes ruas de comércio no Porto. Havia algum movimento, próprio do dia seguinte ao Natal.
Nesta rua é vulgar haver quem se dirija a nós, seja a pedir, seja a fazer perguntas para uma qualquer empresa ou outras coisas parecidas.

Foi assim que vi uma mulher dirigir-me a mim. Talvez por achar que a conhecia, parei sem hesitar. Aliás, ao dirigir-se a mim pediu-me imensas desculpas e disse que apenas queria dizer-me algo.

Identificou-se imediatamente e foi o suficiente para eu me lembrar de onde a conhecia: é uma das muitas actrizes que fazem papéis secundários nas muitas telenovelas que passam diariamente nas nossas televisões. Por razões óbvias, não vou deixar aqui o nome dela.

Explicou-me que sempre viveu do teatro e, mais recentemente, da televisão. Explicou-me que foi contratada para fazer uma novela inteira, que duraria cerca de um ano, mas que foi despedida ao fim de dois meses, resultando na morte sem nexo da personagem que desempenhava.

Até aqui, nada de especial. Muitos actores são despedidos por não cumprirem com as suas obrigações.

No caso dela, embora a empresa responsável tenha alegado um outro motivo, tratou-se de uma doença. A actriz em causa apanhou hepatite C, que a obrigou a um internamento de alguns dias. Quando voltou a casa, esperava-a uma carta a rescindir o contrato. Depois disso nunca mais conseguiu emprego no mundo da representação. E já lá vai algum tempo, que eu lembro-me bem do "fim" da personagem dela.

Esta mulher da minha idade, conhecida por muitos, envergonhada, nervosa, doente e com um olhar sem brilho, dirigiu-se a mim para me pedir algum dinheiro para poder ir ao supermercado comprar comida.

Contou-me ainda que pensa que esta situação irá terminar em breve, já que arranjou uma forma de conseguir algum dinheiro: a partir do próximo mês vai tomar conta de um idoso doente.

É este o país que temos, que obriga muita gente a engolir o orgulho e a pedir na rua dinheiro para comer.

 

sinto-me: sem palavras :-(
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publicado pela nena às 20:15
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